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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 

MARIA SANTÍSSIMA A ARCA DA ALIANÇA



        Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
           Capelania Nossa Senhora do Loreto
            Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)

 

Creio seja salutar começar este artigo citando Saint-Exupéry, “as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma delas cisma de despertar”. A Mãe do Redentor, Maria Santíssima era a virgem do silêncio, que como as sementes iria florescer e se tornar a mais bela das santas de Deus, como uma semente no silêncio, as vezes até do Evangelho, ela hoje brilha como a lua, que reflete o sol pelo brilho de seu filho, como é também chamado Jesus na teologia.

Poucos católicos estudam Mariologia com o amor que deveria, e deixam de conhecer a grande pérola que Deus nos apresentou, sua Mãe, e ainda citando Exupéry, “é o tempo que você perdeu com a rosa que a tornou tão importante”, conhecer a Torre de Davi, a nova Arca da Aliança que carregou o próprio Deus é conhecer Jesus, que a escolheu por Mãe, por sua vontade.

Não foi por lapso da Igreja, mas por talvez preguiça nossa que deixamos de conhecer a Mãe do Salvador, a Igreja Católica através de papas e concílios proclamaram quatro dogmas marianos, “a Maternidade Divina, a Virgindade Perpétua, o Dogma da Imaculada Conceição e o da Assunção de Maria Santíssima”, pois como disse o Evangelista São Mateus “a origem de Jesus, o Cristo, foi assim: Maria sua Mãe” Cf Mt 1, 18, obviamente porque assim quis Deus e não O podemos contestar, não há dignidade em nós para isso.

Com sua poderosa intercessão apresentada nas expressões joaninas “Filho eles não tem mais vinho” e “façam tudo o que Ele mandar”, vimos que ela é o canal seguro para se chegar a Deus, não é uma devoção infantil, mas uma escolha de um caminhar seguro. As vezes penso que os pobres são mais sábios que os doutores, pois São Luís Maria Grinion de Montfort ao escrever o Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora afirma no parágrafo & 26 que “os pobres e os simples que, tendo maior boa vontade e mais fé, que o comum dos sábios, creem mais simplesmente e com mais mérito”, motivo pelo qual creio que mais douto seja quem mais ama a Mãe do Salvador.

            O Santo Padre Paulo VI em sua Carta Encíclica ‘Mense Maio’ nos disse que “Maria é o caminho que nos leva a Cristo”, e assim como os Concílios e os santos doutores da Igreja a devoção maria é a linha comum entre todos eles, quando o Santo Padre assim a redigiu estava ocorrendo o Concílio Vaticano II.

            Um grande Santo e Doutor da Igreja, Santo Agostinho, assim se expressou “não sendo o mundo digno de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, este o deu a Maria, para que os homens O recebessem por ela”. Assim disse São Montefort.  

            Bem disse o filósofo Epiteto que “se, então, você almeja coisas grandes, lembre-se de que não deve tentar agarrá-las com um mínimo de esforço”. Assim sendo a Igreja nos dá com largueza de literatura um grande amor mariano, não podemos dizer que há pouca informação depois de toda História da Igreja, rememoro, novamente Epiteto “é a ação de alguém mal instruído culpar os outros por sua própria má condição”, somos nós que devemos estudar os santos, os documentos da Igreja, buscar na teologia o conhecimento que aumenta a nossa fé.

            Encontramos nos documentos pontifícios da Idade Média dois santos de grande veneração a Nossa Senhora, São Gregório e Santo Agostinho, e o documento diz que “São Gregório é para a moral e a edificação das almas aquilo que Santo Agostinho de Hipona foi para o Dogma”. Logo, devemos buscar nestes santos e na Igreja o caminho de santidade que sempre aflorou na Mãe do Redentor.

SALVE MARIA!

 

REFERÊNCIAS

CARVALHO, César e Carvalho, Mara. Consagra-te: As Bem aventuranças e o Tratado da Verdadeira Devoção. Natal: Mater Dei, 2012.

 

DOCUMENTOS PONTIFÍCIOS: Idade Média. Rio de Janeiro: Ed. CDB, 2024.

 

EPITETO. O manual de Epiteto e uma seleção de discursos. Jandira, SP: Principis, 2021.

 

PAULO VI, Papa. Carta Encíclica Mense Maio. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 29 abr. 1965. Disponível em: https://www.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_29041965_mense-maio.html. Acesso em 23 setembro de 2023.

 

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. 48. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2009.

 

Bíblia católica. Disponível em https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/i-timoteo/4/

 

 

 

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

 

APARIÇÕES MARIANAS



Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
                       Capelania Nossa Senhora do Loreto
            Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)

                    A capacidade de refletir, Deus a deu apenas ao homem. No clássico "Apologia de Sócrates", Platão ao escrever a vida e obra de seu mestre Sócrates, nos lembra que “uma vida que não é refletida não vale a pena ser vivida”, desta forma, possamos refletir as motivações marianas de suas aparições.

          Segundo Fonseca (1994, p. 26), de 1928 até 1972 “divulgaram-se 232 aparições de Nossa Senhora”, a maior motivação, segundo o autor, para todas estas aparições é uma Mãe preocupada e atenta aos riscos que sofrem seus filhos, com a “degradação moral dos costumes”. Em suas aparições, a Santíssima Virgem pede orações e penitências, para evitar os justos castigos de Deus. Para se ter uma ideia, poucas são as aparições marianas na Idade Média.

          A Mãe de Deus e nossa, segundo Fonseca (1994, p. 32), possui mais de mil títulos, dentre eles “Arca da Aliança, Torre de Davi, Velo de Gedeão” e outros mais. A Igreja não costuma festejar o dia do nascimento dos santos, e sim o dia de sua morte, já que é o dia em que se nasce para a verdadeira vida. Porém, ela abre exceção para três santos: Jesus Cristo nosso Redentor, João Batista, o precursor de Jesus e Maria Santíssima sua mãe, mostrando um destaque todo especial para as inúmeras festas e solenidade, mais os dogmas proclamados pela Igreja para a Mãe do Filho de Deus.

          Em uma destas aparições, na localidade de La Salette, no sudoeste da França, região montanhosa, no dia 19 de setembro, Ela aparece a dois pastorinhos, “Melania Calvat com 15 anos e Maximino Giraud de 11 anos”, “a Mãe de Deus aparece a chorar, sentada na amurada da fonte de água, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos espalmadas sobre o rosto”, e o motivo de seu choro é a falta de conversão dos seus filhos que tanto ela ama, e entre os pecados mais graves que fazem pesar a mão de Deus sobre nós, ela cita: “blasfêmias, desrespeito ao repouso dominical, o esquecimento da obrigação da assistência a Missa, principalmente nos domingos e dias de grandes festas (dias dos santos), bem como o descaso das obrigações da Quaresma”, a Mãe aconselha as crianças que rezem ao deitar-se e ao levantarem-se.

          Hoje vimos o que a França, filha primogênita do Catolicismo tornou-se, por isso a Vigem Santa aparece 18 vezes naquele país, como um aviso de súplica de conversão. Entre as principais aparições na França temos Nossa Senhora de Laus (Notre-Dame du Laus), Nossa Senhora da Medalha Milagrosa (Paris), Nossa Senhora de La Salette, Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora de Pontmain.

          Como nos lembra o filósofo grego, Epiteto (2021, p. 12), “se você deseja, almeja coisas grandes, lembre-se de que não deve tentar agarrá-las com um mínimo esforço”, quem deseja o céu, deve “combater o bom combate”, ou como nos lembra o maior o orador romano Cícero (2021, p. 17), “as armas mais bem adaptadas a velhice são a cultura e o exercício ativo das virtudes”, um homem e mulher virtuosos, trilham uma estrada espinhosa, porém santa e que agrada a Deus, uma vez que a humanidade já por demais O ofendeu.

          Que a Mãe Santíssima nos ajude em nosso caminhar rumo ao céu.

SALVE MARIA SANTÍSSIMA!

REFERÊNCIAS

CÍCERO, Marco Túlio. Para saber envelhecer e a amizade. Jandira, SP: Principis, 2021.

EPITETO. O manual de Epiteto e uma seleção de discursos. Jandira, SP: Principis, 2021.

FONSECA, Mário. Miryam. João Pessoa: Ed. União, 1994.

PLATÃO. Apologia de Sócrates. Tradução de André Malta. Porto Alegre: L&PM, 2008.

Também publicado em:

C A D NATAL: APARIÇÕES MARIANAS (Diác. Paulo Gabriel)


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

 

CONHECE-TE A TI MESMO


                                                    Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
                                                     Capelania Nossa Senhora do Loreto
                                          Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)

O conhecimento de nós mesmos passa inevitavelmente pela busca da verdade que é Cristo. Esse conhecimento tem sua origem nas Sagradas Escrituras, que nos é recomendado buscar, em especial aos sacerdotes e diáconos, como afirma a Dei Verbum & 25, endossando as palavras de São Gerônimo que afirmava “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”, recomendando o Santo Concílio que aqueles que todos aqueles que  “se consagram legitimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua”. Sem conhecer Deus não se pode conhecer a si próprio.

            Porém, para buscar a Deus é necessário o Santo Silêncio, o recolhimento, como buscou Moisés deixando o rebanho para se encontrar com Deus na sarça, e muitas vezes Jesus, como disse Sarah (2017, p. 53, &41), “Cristo viveu trinta anos em silêncio. Depois, ao longo de sua vida pública, retirou-se ao deserto para ouvir e falar com o Pai. O mundo tem necessidade vital de pessoas que saiam para o deserto, pois Deus fala no silêncio”, o mundo é muito barulhento e nos dificulta o encontro com Deus, por isso o sacerdote é retirado do mundo para o silêncio pelo celibato.

            Sun Tzu foi um general, estrategista e filósofo chinês, que afirmou em sua obra a Arte da guerra, "Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas". Ainda a filosofia nos faz refletir tão grande monta em um aforismo grego, escrito no pórtico de Delfos, muito usado pelo filósofo clássico Sócrates “conhece-te a ti mesmo”.

            Afirma o grande Doutor da Igreja São Francisco de Sales em sua obra Filoteia que “a verdadeira devoção nada destrói; ao contrário, tudo aperfeiçoa”, e complementa “põe-te na presença de Deus e pede-O que te inspire”, sem essa busca interior por Deus não atingiremos uma devoção perfeita.

Também Santo Agostinho Doutor da Igreja, no Solilóquio do amor descrito na obra Confissões (Lv 10, p. 302), nos diz “Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! E, no entanto, estavas dentro de mim, e eu fora, a te procurar!”.

Dentre as quatro santas doutoras de nossa Igreja, uma em especial, que gosto muito é Tereza de Ávila, ela afirma em sua obra nas quartas Moradas p. 74, que “o certo é que para buscar a Deus no íntimo da alma, onde melhor o encontramos, e com mais proveito que nas criaturas, a exemplo de Santo Agostinho, que o achou em si depois de o ter procurado em muitas partes”. Como disseram esses baluartes de nossa Igreja, acharemos Deus em nós, por isso a premente necessidade de nos conhecermos.

Disse Jesus “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, Cf. Jo 8, 32, pois, Ele é a verdade e está dentro de nós, logo, se não nos conhecermos não conheceremos Deus, e sem conhecer Deus também não é possível que nos conheçamos. Espinhosa como o Gólgota é a estrada do conhecimento de si mesmo, porque somos obrigados a enfrentar nossos medos, anseios, temores, fragilidades.

Hoje algo muito refletido nos congressos, em especial da psicanálise e logoterapia, como forma de prevenção ao suicídio é o autoconhecimento. São Paulo nos exorta a conhecer a “mente de Cristo”, Cf. 1Cor 2, 16. Visto que, sabendo quem é Deus eu sei quem sou, “nós pensamos como Cristo pensa”, também nos alerta o profeta Oseias “meu povo foi destruído por falta de conhecimento”, Cf. Os 4, 6. Creio seja ainda pior quando não temos o conhecimento de quem nós somos.

Salve Maria Santíssima”

 

REFERÊNCIAS

AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017. 

ÁVILA, Tereza de. Castelo interior ou moradas. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2024. 

DV - CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DEI VERBUM SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA. & 25.

Francisco, de Sales, Santo. Filoteia: introdução a vida devota. Petrópolis: Vozes, 2024.

SARAH, Robert. A Força do Silêncio: Contra a Ditadura do Ruído. Paulus Editora, 2017.

Sun Tzu. A Arte Da Guerra. São Paulo: Editorial Plenitude Distribuidora, 2024

domingo, 15 de junho de 2025

 

SEDE SANTOS                   


 

         Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
      Capelania Nossa Senhora do Loreto
            Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)

O Livro Sagrado nos mostra que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, para sermos santos como Ele é. Porém em dado momento, nossos primeiros pais pecaram, e herdamos a mácula do pecado original.

            A expressão bíblica "sede santos, porque eu sou santo" é um chamado à santidade que está presente na Bíblia, em Levítico 11, 44-45 encontramos “Pois eu sou o Senhor, vosso Deus. Vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo”, e 1 Pedro 1, 15-16 também encontramos “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo”.

            Que a Mãe Santíssima, modelo de santidade nos ajude e nos conduza pelo mesmo caminho que foram conduzidos os santos de nossa igreja, para talvez podermos ser considerados dignos do Santo Evangelho, moldados por seu infinito amor de mãe, ela que em sua profunda humildade, a cheia da graça, de tantas virtudes tudo tinha por graça de Deus.

            Arminjon (2021), obra que despertou a santidade e vocação para freira da jovem Santa Terezinha do Menino Jesus, citado por ela mesma em “História de uma alma”, nos diz: “Nós os consagrados a Deus, não somos deste mundo, mas que do mundo fomos escolhidos para ser mensageiros do Evangelho”. É premente a necessidade de pensarmos com o coração e a alma em duas palavras – JUSTIÇA e SANTIDADE -  toda nossa vida será santificada se colocarmos em práticas de corpo e alma estas duas palavras, que estão em meu lema de ordenação guardado por mim com carinho, e tantas vezes dito pelo nosso reitor da Escola Diaconal no Rio de Janeiro Padre Lindemberg.

            Essa santidade, perpassa por uma obediência cega, outra virtude forte de Nossa Senhora, como diz Carvalho (2012, p. 34) “envolvido pela obediência cega, virtude que a Virgem Maria honrou quando cumpriu o mandamento “amarás o Senhor Deus de todo o teu coração”, a perfeição encontraremos ao nos moldarmos a Jesus em Maria sua amada Mãe.

            O discípulo amado nos lembra em seu Evangelho que “se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia”, Cf Jo 15, 19, estamos na contra mão do mundo, devemos buscar a santidade, mas o mundo não nos tolerará. E como disse Santa Tereza de Calcutá, “quer ser perfeito? Vá para casa, ame sua família e seja paciente com ela”, pois, a nossa maior catequese será em nossas casas, uma catequese da porta da sala à porta da cozinha, o amor nos julgará, pois, Deus é amor e amou o mundo de tal forma que nos deu seu Filho único. Amai-vos uns aos outros, no disse Jesus no Evangelho de João 13, 34 “Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

            Lembre-se amado irmão e irmã das palavras de São Francisco, “pregai! Se necessário use palavras”, pois, estamos pregando com a vida, talvez você seja o único evangelho que alguém esteja lendo.

Ainda nos fala ao coração o Apóstolo Missionário São Paulo Cf. 2Cor 4, 6 “Porque Deus que disse: ‘Das trevas brilhe a luz’, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo”. Logo, mesmo no mundo sejamos sal e luz, não deixemos que a escurão nos cubra, não pode uma lamparina ser escondida em baixo da mesa, ela deve alumiar o mundo, quanto menor a luz mais brilhará na escuridão.

Estejamos de prontidão repetindo em cada Santa Missa “Vinde Senhor Jesus!”

 

REFERÊNCIA

ARMINJON, Charles. Do fim do mundo, dos sinais que o precederão. Osasco – SP: Domine, 2021.

CARVALHO, César e Carvalho, Mara, Consagra-te: devocionário. Natal: Mater Dei, 2012.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

 

É PRECISO CONHECER PARA AMAR: O PRECURSOR DO REDENTOR



Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
Capelania Nossa Senhora do Loreto
            Ordinariado Militar do Brasil – Parnamirim (RN)

No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem, que me é superior, porque existe antes de mim.

Jo 1, 29s

 

          Para amar nós precisamos conhecer, por isso o namoro é um passo em que os casais se conhecem e é muito importante esta fase, também a Dei Verbum nos diz que “o desconhecimento das escrituras é o desconhecimento do próprio Deus”. Isso no nosso país passa a ser um problema a ser corrigido. Enquanto o francês lê em média 20 livros por ano, o americano também com índices próximos a eles, nós brasileiros temos uma terrível média de dois livros por ano, então fazer o povo ler será o nosso maior desafio.

Muitos já se debruçaram sobre a biografia de Jesus Cristo, dentre eles, Bentencourt, Ratzinger, Lewis e Pagola  e porque isso? Porque a nossa religião é cristológica, cristocêntrica, e muitas são as fontes para buscarmos o conhecimento de Jesus (o homem) e por sua união hipostática o Cristo (Deus encarnado no seio da Virgem Maria), por vontade e obra de Deus.

O Papa Francisco, no seu Angelus do dia 23 de março de 2025[1], nos apresenta como temática do Evangelho do dia a ‘paciência’, de um Deus que não quer cortar a figueira, ainda que a mesma não esteja dando fruto. Encolerizados, os apóstolos queriam descer fogo sobre uma cidade e Jesus lhes disse: “Eu vim para salvar, e não para condenar”, logo Deus usa de todos os instrumentos para salvar seus filhos.

 

A parábola que encontramos no Evangelho de hoje fala-nos da paciência de Deus, que nos impele a fazer da nossa vida um tempo de conversão. Jesus usa a imagem de uma figueira estéril, que não deu os frutos esperados e que, no entanto, o agricultor não quer cortar: quer adubá-la de novo para ver «se dará frutos na próxima estação» (Lc 13, 9). Este agricultor paciente é o Senhor, que trabalha com cuidado o solo da nossa vida e espera com confiança o nosso regresso a Ele.

 

          É necessário conhecer Deus. São Gerônimo, afirma que se não conhecemos a Palavra de Deus não podemos dizer que conhecemos a Deus. A Constituição Dogmática Dei Verbum, também endossa essa mesma afirmação, ao dizer que “O sagrado Concílio professa que Deus, princípio e fim de todas as coisas, se pode conhecer com certeza, pela luz natural da razão a partir das criaturas» (cfr. Rom. 1,20)”.

          Os padres conciliares assim acharam por bem dividir a Constituição Dogmática[2]:

1.     CAPÍTULO I - A REVELAÇÃO EM SI MESMA

2.     CAPÍTULO II - A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

3.     CAPÍTULO III - A INSPIRAÇÃO DIVINA DA SAGRADA ESCRITURA
E A SUA INTERPRETAÇÃO

4.     CAPÍTULO IV - O ANTIGO TESTAMENTO

5.     CAPÍTULO V - O NOVO TESTAMENTO

6.     CAPÍTULO VI - A SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA

 

          Afirma também, no parágrafo 4, que vivemos os últimos tempos, esperando a Sua vinda gloriosa, “Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho” Cf. Heb. 1, 1-2.

          Segundo o Santo Concílio, “Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus” Cf. Jo. 1, 1-18, vimos assim que está a nossa fé, e a fé que recebemos de nossos pais e da igreja, centrada em Cristo.

          Nos lembra ainda os padres conciliares que “[…] a sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja, [...] sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas”, que é a missão da Igreja.

          Ainda citando Timóteo, bispo, no tempo dos Padres apostólicos, o Concílio afirma que “os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas sagradas Letras”, elas não contém erro, é a verdade suprema porque foram inspirados por Deus.

 

Toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para corrigir, para instruir na justiça: para que o homem de Deus seja perfeito, experimentado em todas as obras boas. Cf Tm. 3, 7-17.

         

          Somos convidados a entender que “Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja”, é a Igreja que a autorização de interpretar as Sagradas Escrituras, a ela foi confiado por Jesus, conforme descreveu o Santo Concílio que ela “tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus”.

 

Referências

BENTENCOURT, Estevão. Cristologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2009.

RATZINGER, Joseph. PP Bento XVI. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até a ressurreição. São Paulo: Planeta, 2011.

https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/1/ acesso em 09 fevereiro de 2025.

LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. Rio de Janeiro: Editora Thomas Nelson Brasil, 2017.

PAGOLA, José Antonio. Jesus uma aproximação histórica. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

João Batista. Disponível em https://www.ebiografia.com/joao_batista/acesso em 12/03/2025.

Angelus do dia 23 de março.https://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2025/documents/20250323-angelus.html disponível em 24 de março de 2025.

 

 

 



[1] Angelus do dia 23 de março.https://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2025/documents/20250323-angelus.html disponível em 24 de março de 2025.

 

[2] Fonte:https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html disponível em 24 de março de 2025

 

quarta-feira, 22 de maio de 2024

 

ARTIGO BASEADO NA OBRA DO AUTOR (2023):

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: UMA JORNADA DO PASSADO AO FUTURO E OS RISCOS PARA A CONTEMPORANEIDADE

Disponível na Amazon.

Link: https://www.amazon.com/dp/B0CCCVCDGJ


Copyrigt © Paulo Gabriel B Melo

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                             Catalogação na Publicação (CIP)

      Ficha catalográfica feita pelo autor

      Conforme Lei do Livro nº. 10.753/2003

 

 

CURRICULUM VITAE DO AUTOR



PAULO GABRIEL BATISTA DE MELO

      PhD em Educação pela World University Ecumenical – USA; Dr. em Educação pela World University Ecumenical – USA. Mestre em Educação pela USAC – Chile (Com louvor e titulação máxima); Teólogo pelo EDAP-MS; Teólogo pela FATCSRE -PE; Membro da Academia Marial de Teólogos SP; Pedagogo pela Uviversidade Estadual – CE; Psicopedagogo pela Universidade Católica – MS; Graduado em Filosofia (último período) – UNINTER. Graduando em História – 4º período Universidade de Sobral – CE. Professor da Educação Básica, Superior e Pós. Tripulante de Voo da Força Aérea. Instrutor de Voo de Aeronavegantes da Força Aérea. Autor de diversos livros e artigos científicos. Blogueiro. Sócio fundador da Academia de Formação de Aeronautas, RF-PE; Diretor Pedagógico da Kronos Assessoria. Coordenador de Grupo de Trabalho com Especialistas do ITA. Pesquisador de Indigenismo na América do Sul há 30 anos. Autor de mais de 122 livros até 2024 e artigos científicos. Email: gabrielmelopaulo@gmail.com


O QUE DISCUTIMOS E REFLETIMOS NESTA OBRA:

CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

1.1 A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ASSUSTA?

1.2 A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CONTRIBUI PARA A HUMANIDADE? 

1.3   ELA É UM RISCO PARA O HOMEM?

 1.4 A IA AJUDARÁ O SER HUMANO A EVOLUIR OU DESTRUIRÁ A HUMANIDADE?

CAPÍTULO 2 HISTÓRIA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

CAPÍTULO 3 TÉCNICAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

CAPÍTULO  4 APLICAÇÕES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

CAPÍTULO  5 RISCOS E DESAFIOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

CAPÍTULO  6 ÉTICA E RESPONSABILIDADE NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

CAPÍTULO 7 O FUTURO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

 

A OBRA:

        É possível resumir, criticamente, esta obra analisando cada   um dos capítulos:

        O leitor verá no capitulo primeiro uma “Introdução à Inteligência Artificial”, uma base bem suscinta para ter uma boa noção da evolução das máquinas e da internet das coisas.

Poderá conferir os interessados na temática historiográfica, a “História da Inteligência Artificial” que será apresentada no capítulo dois.  “Técnicas de Inteligência Artificial”, poderá ser aprofundado no capítulo terceiro. São um risco para a humanidade? Um perigo? Teremos que discutir isso inclusive no meio acadêmico.

O quarto capítulo trará as “Aplicações da Inteligência Artificial”. Aonde ela á mais utilizada? Que ganhos terá a humanidade com sua utilização. “Riscos e Desafios da Inteligência Artificial” Como se portará com os seres humanos? Levarão a raça humana a extinção? Tudo isso será discutido aqui no quinto capítulo.

        Ser ou não ser ético? “Eis a questão”, como dizia o poeta William Shakespeare em seus poemas. Teremos que decidir o que fazer. Essas e outras questões será vista no sexto capítulo.

        Confira no sétimo capítulo “O Futuro da Inteligência Artificial”, quais os nossos desafios. Como vamos nos preparar para conviver com as máquinas que pensam, falam, fazem cirurgias, dirigem e por pouco nem sabemos se vamos saber diferenciar um humano de um robô em futuro próximo.

        Quero desafiar o leitor a ler esta obra até o fim. É possível que a cada ano que passa muitas capacidades da IA que não foram aqui descritas seja parte de nossas vidas.

 

        Ao prefaciar a obra, já vemos que é fato inconteste que as IA – Inteligência Artificial - e assim as chamaremos nesta obra, é o assunto mais discutido no mundo, chegando inclusive as telas de cinema, com o clássico missão impossível, em que uma IA – superinteligente – denominada “A Entidade”, começa a controlar o mundo.

        O ser humano sempre foi fascinado por poder – dinheiro – fama, e por eles são capazes de tudo. A IA sintetiza o poder, pois vivemos em mundo que o maior capital é a informação, o dinheiro pois a moeda mundial é praticamente virtual, poucas transações financeiras hoje são feitas em espécie, e as virtuais já são maioria no mercado financeiro, inclusive investidores aumentam a suas produtividades a cada dia com as IA’s. A fama vai depender de quem consiga desenvolver mais sua profissão com a utilização da IA.

       As mais antigas profissões utilizam a IA, entre elas a educação, mas, a tendência é que profissões deixem de existir com o uso da IA. Aprendi com a vida que novas profissões surgem a cada ano, e provavelmente daqui a alguns anos apareçam novas profissões que hoje ainda existem. O mercado está sempre em constante movimento, cabe a cada um estar sempre antenado com as novas inovações e tecnologias disponíveis.

        Hoje uma IA faz diagnóstico com mais acertos que os médicos, montam processos judiciais mais rápido e começa a ganhar espaço até na automação de carros. Logo, elas vão pilotar aviões como os drones, diminuindo as mortalidades em combate, assessorando pessoas em análise e terapia, e enfim, em todas as áreas das ciências no planeta.

        Concordo com os cientistas que a IA é a grande invenção do milênio e talvez em séculos não apareça algo maior. Logicamente, ela vai se expandir muito ainda. Vai se tornar mais inteligente, ganhará espaço nas áreas de humanidade, bélica, financeira e veio para ficar, portanto, temos que nos acostumar com sua presença, e quem não quiser ficar fora do mercado vai ter que se desenvolver com as IA’s.

Desde a popularização da internet no Brasil, por volta dos anos 2000, nossa forma de relacionamento com a tecnologia mudou drasticamente. A mudança que usualmente esperava-se anos para acontecer totalmente, a adaptação tecnológica foi imediata, e não foi levada em conta os impactos que isso poderia ter, especialmente nas crianças e adolescentes. Hábitos e costumes foram mudados com a internet, ela passou de apenas um meio de comunicação para principal fonte de entretenimento, forma de trabalho e outros aspectos. Em 2007 com a chegada do iPhone, mais uma vez a sociedade foi impactada com uma tecnologia que impactaria todos os aspectos da vida cotidiana em escala global. Era de se esperar que estávamos entrando em uma nova era da tecnologia, por duas mudanças tecnológicas tão próximas, poderia ser um novo ritmo tecnológico rumando para um caminho em que ninguém ao certo saberia dizer como seria dali para frente. Contudo passaram-se os anos e conforme as tecnologias como internet, dispositivos móveis e uma série de aparelhos que poderiam ser conectados a internet, dando início a internet das coisas, foram evoluindo e ficando cada vez mais comum na vida das pessoas, mas até então, nada que fosse tão disruptivo quanto a internet ou o primeiro iPhone. Houveram outras tecnologias que pareciam ocasionar o mesmo impacto mas que não vingaram, como metaverso, enquanto algumas surgiram e foram adotadas como NFC. Nesse contexto surgiram as IAs geradores de texto automáticos, trazendo boa parte do foco empresarial de tecnologia para isso, sendo utilizado de graça por qualquer um e oferecendo uma resposta rápida para qualquer pergunta, dilema e algumas até criando imagens. Ainda é muito recente para dizer qual o seu impacto, mas pela primeira vez em muitos anos, existe uma grande possibilidade de estarmos experienciando uma passagem digital que impactará a forma como nos relacionamos, trabalhamos e produzimos.

        Podemos apresentar essa obra sobe as IA’s, incentivando o leitor, que não tenha medo de usar esta tecnologia e tendo bom senso ao discernir, perguntei a Inteligência Artificial ‘bing.com’ que título ela me sugeriria para escrever de forma mais atual esta obra, ela me sugeriu a seguinte temática: “Se eu fosse escrever um livro sobre inteligência artificial, eu poderia chamá-lo de “Inteligência Artificial: Uma Jornada do Passado ao Futuro”, então, creio ser relevante acrescentar “e os riscos para a contemporaneidade”, nascendo assim, com auxílio da IA esta temática.

       Ao dividir os capítulos perguntei a IA que assuntos seriam mais relevantes e ela recomendou:

1.             Introdução à Inteligência Artificial

2.             História da Inteligência Artificial

3.             Técnicas de Inteligência Artificial

4.             Aplicações da Inteligência Artificial

5.             Riscos e Desafios da Inteligência Artificial

6.             Ética e Responsabilidade na Inteligência Artificial

7.             O Futuro da Inteligência Artificial

Achei pertinente sua sugestão, uma vez que pouco sabemos sobre o assunto é necessário discorrer sobre uma “Introdução à Inteligência Artificial”, e como amante da historiografia é salutar que eu escrevesse também sobre “História da Inteligência Artificial”, as “técnicas e suas aplicações, bem como os riscos, a responsabilidade e o futuro da IA no mundo”, seguirei então este roteiro.


A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ASSUSTA?

A Inteligência Artificial foi largamente utilizada em filmes da indústria cinematográfica como ‘O exterminador do futuro’ e outros, o que levou as pessoas a pensarem que a humanidade correria risco de aniquilação por parte das máquinas. Alexa, lançada no mercado foi um início do rompimento das pequenas barreiras, o casamento com robôs no Japão, China e outros países acelerou o processo.

        Certamente, que o medo sempre parte do desconhecimento que temos a respeito de algo, motivo pelo qual a busca pelo conhecimento é sempre necessária. Há um livro muito interessante sobre desbravar o desconhecido que li há alguns anos que vai de encontro a esta temática,  ‘Até as Águias Precisam de um Empurrão’, obra de David Mcnally,  e um outro que dizia ‘ação cura medo’, motivo pelo qual devemos sair da caverna da ignorância de Platão em direção a luz do conhecimento.

        As IA’s não foram programadas para destruir a humanidade em uma revolução cibernética, mas, para realizarem tarefas específicas para a qual foram programadas. Logicamente, não seremos tão ingênuos a ponto de acreditar

que não serão usadas em armas de destruição em massa ou outra.

Dentre as muitas benesses citadas pelas IA’s, podemos perceber que haverá ganhos para os humanos como nas áreas da saúde, Automatização de tarefas, Assistência virtual, Condução autônoma, Previsões e análises avançadas, Resolução de problemas complexos. Ela especifica como serão estes ganhos.

Se esse conhecimento lhe interessa, pode adquirir esta obra no site da Amazon.

Boa leitura