ANGEOLOGIA
NO MEDIEVO
Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
Capelania Nossa Senhora do Loreto
Ordinariado Militar do Brasil
– Parnamirim (RN)
Aos olhos dos iluministas, a
Idade Média foi um período de trevas, mas este conceito já foi revisado como
inconsistente por bons historiadores como Jacques Le Goff, Hilário Franco
Júnior, Pierre Duhem, Lynn Thorndike e poderíamos citar uma plêiade deles que
não aceitaram essa afirmação iluminista, em especial porque mais de 150
invenções ocorreram na Idade Média, sem contar com o surgimento das grandes
escolas filosóficas da Patrística e da Escolástica. Para os iluministas, em
especial do século XVIII, a
noção sobre Nossa Senhora, bem como a devoção mariana ficou marcada pela
crítica racionalista que era feita à Igreja Católica, buscando desvincular a fé
da esfera pública e política, em uma tentativa de desprezar a fé cristã e a
mariologia. Enquanto isso, Agostinho trazia em suas obras “Nossa Senhora como
uma figura central no plano de salvação”, foi ela que deu a luz que redimiu a
humanidade, tão bem explanada por São João Paulo II na sua CARTA ENCÍCLICA
sobre a Mãe do Redentor,
REDEMPTORIS MATER, ao dizer que “a MÃE DO REDENTOR
tem um lugar bem preciso no plano da salvação”.
Segundo o Dr. Daniel Cerqueira
Afonso, diretor da Lócus, instituição educacional católica, “o Iluminismo,
movimento intelectual do século XVIII, baseou-se na razão, liberdade individual
e crítica ao absolutismo”. E este movimento teve como “principais pensadores
John Locke (liberalismo), Voltaire (liberdade de expressão), Montesquieu (três
poderes), Rousseau (soberania popular) e Adam Smith (liberalismo econômico),
defendendo a ciência e a igualdade perante a lei”.
Afirma,
então, o Dr. Daniel que devemos analisar o Cristo-Logos e a “luz” angélica, segundo os fundamentos
bíblico-patrísticos, e teremos então como bíblico o trecho que nos leva olhar
para o “Fiat lux” descrito em Gn 1,3 que tem como “chave teológica da
iluminação das criaturas espirituais”.
O
ser humano é criado por Deus com a luz, embora já houvesse as trevas nos anjos
decaídos. Afirma então o Dr. Daniel que “A luz, nesse tratamento patrístico, não é
apenas fenômeno cósmico, mas sinal de participação na Verdade. As trevas, por
sua vez, indicam privação, recusa e afastamento”. Podemos concluir a
angelologia do bem está voltada para a obediência e adoração de Deus, enquanto
o anjo decaído, ao romper com a Luz afastou-se dela perdendo a graça.
Uma questão importante é a definição
da natureza e a da missão angélica. Afirma Dr. Daniel que
“os anjos são apresentados como criaturas intelectuais, finitas, livres e
luminosas por participação, nunca como realidades autônomas ou fontes próprias
de luz”. Sua natureza e ofício na angeologia nos mostra que o “anjo” designa
missão, envio, serviço. Portanto “o ministério angélico se expressa no anúncio,
na proteção, no culto e no governo providente, sempre subordinado ao único
Mediador”.
É
importante rememorar a "curvatio in se" originada no pensamento de
Santo Agostinho, aonde ele descreve a condição humana decaída e pecaminosa como
o "homem curvado sobre si mesmo"
Para Agostinho de Hipona, “o pecado original não é
apenas um erro pontual, mas uma "curvatura" da vontade. O ser humano,
criado para se voltar para fora (para Deus e para o próximo), curva-se para
dentro, colocando-se como o centro do seu próprio universo”, desvirtuando assim
da essência da criação e colocando suas vontades e desejos acima da vontade do
Criador. Agostinho de Hipona trás este conceito em suas principais obras: Confissões,
A Cidade de Deus, Comentários sobre os Salmos e outras.
“Traspassaste meu coração com tua palavra e eu te
amei.” (Agostinho de Hipona, Confessiones, 10.6.8)
“Que de ti me lembre, que te compreenda e que te
ame! Faze-me crescer nesses dons, até que me reformes
integralmente.” (Agostinho de Hipona, De Trinitate, 15.28.51)
SALVE MARIA SANTÍSSIMA!
REFERÊNCIAS
ANGEOLOGIA/DEMONOLOGIA. Módulo:
Angeologia medieval. Pós graduação em Angeologia e Demonologia. Locus
Mariologicus/ Faculdade São João Paulo
II (FAJOPA)
AGOSTINHO,
Santo. Confissões. Tradução de Frederico Ozanam Pessoa de
Barros. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2017.
Chiapa-Villarreal,
Padre Hector. Orgulho, inveja e preguiça: os inimigos da caridade. Disponível
em , com
acesso em 06 maio 2026.
JOÃO PAULO II, Papa. Carta
Encíclica Redemptoris Mater: sobre a bem-aventurada Virgem Maria na vida da
Igreja que está a caminho. 25 de março de 1987.
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