VOCÊ JA OUVIU FALAR EM ANGELOLOGIA DE DEUS
Diácono Paulo Gabriel Batista de Melo
Capelania Nossa Senhora do
Loreto
Ordinariado Militar do Brasil
– Parnamirim (RN)
A
primeira vez que li a palavra “angelomaquia” foi na obra do escritor inglês
John Milton. Ao analisarmos o léxico vemos que ela trem origem no grego angelos (anjo)
e makhia (guerra/luta), fazendo uma referência literal
à "guerra dos anjos", ou seja, os anjos decaídos. Essa
batalha descrita no Livro do Apocalípse 12, ocorrida entre os anjos de Deus e
os anjos caídos (frequentemente chamados de demônios), ou mais popularmente com
a rebelião de Lúcifer.
Carvalho (2026, p. 130), afirma que
os anjos foram testemunhas da encarnação, e que também anunciaram com alegria
aos pastores e que ainda “Deus criou os anjos (criaturas espirituais
invisíveis, não-corporais) para serem servidores de Seu plano de amor e para
por eles também ser glorificado.
A
disciplina de Angeologia (ou também conhecida por
angelologia) é o conteúdo da teologia cristã que estuda nos anjos a sua
natureza, funções, existência e hierarquia como seres espirituais criados por
Deus, segundo vemos relatados em quase todos os livros da Bíblia.
Também o Magistério da Igreja através do
Catecismo & 333, nos mostra que “da Encarnação à Ascenção, a vida do Verbo
Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos”, logo precisamos ter um
pouco de conhecimento sobre estes seres de Deus que nos ajudam em nossa
caminhada enquanto Igreja Militante.
Também pode ser visto em Tb 5,4 na versão
grega: “ἐξῆλθεν δὲ Τωβίας εὑρεῖν ἄνθρωπον ὃς πορεύσεται μετ᾿ αὐτοῦ εἰς Μηδίαν
καὶ εὗρεν Ῥαφαὴλ τὸν ἄγγελον ἑστηκότα οὐκ ᾔδει δὲ ὅτι ἄγγελός ἐστιν θεοῦ”. Cuja
“Tradução literal (com glossas): ἐξῆλθεν (saiu) δὲ (porém) Τωβίας (Tobias) εὑρεῖν
(para encontrar) ἄνθρωπον (um homem) ὃς (o qual) πορεύσεται (irá, caminhará)
μετ᾿ (com) αὐτοῦ (ele) εἰς (para) Μηδίαν (Média) καὶ (e) εὗρεν (encontrou) Ῥαφαὴλ
(Rafael) τὸν (o) ἄγγελον (anjo) ἑστηκότα (de pé, posto) οὐκ (não) ᾔδει (sabia)
δὲ (porém) ὅτι (que) ἄγγελός (anjo) ἐστιν (é) θεοῦ (de Deus). Donde vemos no
seu livro Tb 5,4 “Tobias saiu, porém, para encontrar um homem que iria com ele
para a Média; e encontrou Rafael, o anjo, de pé, mas não sabia que ele é anjo
de Deus.”
Ainda em Tb 6, 1 vemos ““E o jovem saiu, e o
anjo com ele; e o cão saiu com ele e caminhou com eles; e ambos caminharam, e
sobreveio-lhes uma noite, e acamparam junto ao rio Tigre”.
A
amplitude do assunto perpassa ao aspecto histórico-religioso sobre a origem da
crença em anjos, pois, a descrição de “seres espirituais intermediários não é
exclusiva da Bíblia, mas atravessa praticamente todas as religiões humanas.
Desde as religiões telúricas, celestes, animistas e xamânicas até sistemas mais
estruturados”, logo, estas entidades sobrenaturais e superiores aos seres
humanos, e bem distintos da divindade, atuam como mensageiro como o fizeram na
Anunciação, a São José em sonho, a Jacó e tantos outros personagens bíblicos,
eles desempenham uma missão como “mediadores, mensageiros ou protetores.
Destaca-se, em especial, o dualismo religioso — sobretudo no zoroastrismo —
como tentativa de responder ao problema do mal, exercendo influência decisiva
sobre a posterior angeologia e demonologia bíblicas”, isso tudo pode ser visto
em especial no período pós-exílico.
Por isso, tenhamos um carinho por
estes seres angelicais, especiais, como o nosso Anjo da Guarda. Deus nos deixou
instrumentos de proteção que se bem usados nos favorecerão na nossa salvação e
caminhada sobre a Terra. Que a Mãe Santíssima nos ajude nesta jornada com os
Santos Anjos de Deus.
SALVE MARIA!
REFERÊNCIAS
CARVALHO, César e Carvalho, Mara. CONSAGRA-TE! A pequena via na
Escravidão de amor. Na mística de São Luís Maria Grignion de Montfort &
Santa Terezinha do Menino Jesus. Natal: Editora própria, 2026.
MILTON,
John.
Paraíso perdido. São Paulo: Martin Claret, 2025.
ANGELOLOGIA.
Pós Graduação em angelologia. Portugal: Locus Mariologicus, 2026.
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